quinta-feira, 5 de março de 2020

Quadrilha rouba R$ 6 milhões se passando por atendentes de banco

Redação Ednilson DRT-BA : 6200, quinta-feira, março 05, 2020 por Ricardo de Souza

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou 22 integrantes de uma quadrilha que usava malwares e golpes de phishing para roubar mais de R$ 1 milhão de clientes bancários somente no Distrito Federal, com o total furtado ultrapassando a marca dos R$ 6 milhões em todo o Brasil. Os golpes aconteciam em fases e envolviam desde o uso de malwares para obtenção dos dados financeiros até ligações em que integrantes do grupo se passavam por funcionários das agências para obter senhas e códigos que validariam as transações fraudulentas.
De acordo com as informações das autoridades, o grupo fez 37 vítimas somente em Brasília (DF), sendo que uma delas, sozinha, chegou a perder mais de R$ 100 mil. O MP, por meio do Núcleo Especial de Combate a Crimes Cibernéticos (Ncyber), denunciou os acusados por furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivo, além de solicitar à Justiça a imposição de pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões pelos danos e perdas causados às vítimas.
O primeiro grupo responsável pelos ataques eram os “coders”, que programavam malwares que se instalavam em celulares e computadores. A partir desses softwares, os criminosos obtinham dados como nome do titular, banco em que ele é correntista, agência, conta e senha de acesso ao internet banking. Essas informações eram usadas para verificação de saldo e limites de crédito, o que levava à escolha das vítimas e aos ataques mais direcionados.
Pelo telefone, os bandidos se identificavam como funcionários dos bancos e, de posse das informações de contato, solicitavam o envio de códigos de transação pelo WhatsApp, enquanto fraudavam a identificação de chamadas para fazer parecer que o número discando pertencia às instituições. Em alguns casos, as vítimas chegaram a ir até uma agência bancária para mandar QR Codes desse tipo pelo WhatsApp, o que acabava permitindo que os golpistas tivessem pleno acesso às contas para a realização de transações, compras, pedidos de empréstimo e outras operações fraudulentas.
O dinheiro era recebido por contas de associados da quadrilha, que aceitavam servirem como receptadores do dinheiro em troca de uma comissão. Novamente, o bando tinha elementos especializados em realizar contatos com os interessados, com as transferências a partir das contas das vítimas sendo fracionadas de forma a dificultar identificação pelas autoridades e facilitar a lavagem do montante.
Esse processo acontecia por meio de uma gráfica e uma loja de vidros, que emitiam boletos bancários pagos com o dinheiro roubado ou realizava transações fantasmas em máquinas de cartão bancário. Transferências a contas no exterior também foram realizadas, enquanto parte do dinheiro foi utilizado na compra de moedas digitais.
A denúncia do MPDFT foi motivada pela operação XCoderX, que no início de fevereiro cumpriu 50 mandados judiciais de prisão e apreensão em São Paulo, Bahia, Paraíba, Ceará, Santa Catarina e Distrito Federal. Seis pessoas foram presas e irão responder por crimes como fraude, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a até 10 anos de reclusão.
Além destes, outros dois indivíduos já estavam detidos antes da realização da operação. Foi justamente a prisão da dupla, a partir de uma denúncia de furto digital de R$ 4 mil, em outubro de 2019, que levou à operação e à descoberta da quadrilha, bem como à soma estratosférica de valores roubados em um golpe que já acontece pelo menos desde o início de 2019.
Fonte: MPDFT, Polícia Civil do DF  

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