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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Brasileiro é condenado à prisão perpétua pela morte de tio e primos na Espanha

Redação Ednilson DRT-BA : 6200, sexta-feira, novembro 16, 2018 por Ricardo de Souza

Patrick Nogueira assassinou e esquartejou os parentes em um chalé na cidade de Pioz em 2016. Sentença pode ser revisada a cada 25 anos.
François Patrick Nogueira sentou no banco dos réus no dia 24 de outubro, na Espanha — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco
A Justiça espanhola condenou à prisão perpétua o brasileiro François Patrick Nogueira Gouveia, que admitiu ter matado dois tios e dois primos em 2016 na cidade de Pioz. A sentença foi lida nesta quinta-feira (15), pela juíza Maria Elena Mayor Rodrigo, do tribunal de Guadalajara.
Patrick está detido desde 2016, quando se entregou às autoridades e confessou ter assassinado e esquartejado os tios Janaína Américo, de 40 anos; Marcos Campos Nogueira, de 39 anos; e os filhos do casal, de 1 e 4 anos de idade. No início de novembro, ele foi considerado culpado por um júri popular, mas a pena ainda não havia sido estabelecida.
A prisão perpétua é a punição mais grave existente na Espanha, e pode ser revista a cada 25 anos. Patrick foi condenado à pena três vezes: pelas mortes dos primos e de Marcos. Pelo assassinato de Janaína, a punição é de 25 de anos prisão, segundo o jornal espanhol “El Mundo”.
Júri popular
Patrick Nogueira foi condenado a prisão perpétua revisável — Foto: TV Cabo Branco/Reprodução
O julgamento ocorreu entre 24 e 31 de outubro. Mais de 65 pessoas prestaram depoimento no júri, entre eles familiares do assassino e das vítimas, policiais que trabalharam na investigação do crime e médicos e psicólogos forenses.
O júri declarou que Patrick Nogueira matou os tios e primos com intencionalidade, sem considerar qualquer defesa.
Tanto o Ministério Público espanhol como a acusação particular tinham pedido a prisão perpétua revisável. A defesa de Patrick Nogueira, por sua vez, pediu a reclusão do réu por 25 anos alegando danos cerebrais que o colocavam em condição de doente.
Em outubro, ao depor no julgamento, o réu afirmou: “Eu sabia que queria fazer, mas não como ia acontecer”. Patrick começou seu depoimento explicando que só iria responder às perguntas de sua advogada, Bárbara Royo, e afirmou que gostaria de ter evitado o crime.
“Queria ter evitado tudo isso (…) não escolhi funcionar da maneira como funciono”, disse ele.
No último dia de julgamento, Patrick Nogueira pediu perdão aos familiares e disse que sofre como eles.
“Agora não posso consertar o que passou”, afirmou.
A promotora responsável pelo caso, Rocio Rojo, pediu a pena máxima. Para ela, independentemente dos motivos, ficou provado que Patrick não cometeu o crime impulsivamente.
“Patrick é uma pessoa com um tremendo mal e deve ser punido com prisão permanente. Não tenham medo, pois a prisão permanente é revisável”, disse, segundo a rede de televisão Antena 3.
Chacina de Pioz, na Espanha
Janaína Américo, Marcos Campos Nogueira e os filhos do casal, de 1 e 4 anos, foram encontrados mortos e esquartejados em um chalé na cidade espanhola de Pioz em 18 de setembro de 2016, cerca de um mês após o crime.
Patrick Gouveia, sobrinho de Marcos, se entregou à polícia da Espanha e confessou o crime em 19 de outubro.As urnas com as cinzas da família chegaram em João Pessoa em 10 de janeiro de 2017, quatro meses depois, quando as vítimas foram enterradas.
Antes da chacina
Antes de se transformar no assassino confesso da família brasileira esquartejada em Pioz, na Espanha, François Patrick Gouveia tinha o sonho de seguir os passos do tio, Walfran Campos, e se tornar jogador profissional de futebol na Europa. A viagem de Patrick ao velho continente, que culminou com o assassinato dos tios e dos primos, começou com uma aposta do jovem em integrar as categorias de base de algum clube da Inglaterra.
Até chegar à Espanha, na casa do tio Marcos Campos, uma das quatro vítimas da chacina, Patrick Gouveia havia morado na Inglaterra e em Portugal. Nos dois países, chegou a fazer testes, passou por avaliações nos clubes locais, mas uma lesão no joelho o impediu de dar continuidade à carreira.
Após a frustração, distante da família, Walfran, ex-atleta profissional e mentor de Patrick em busca do sonho de ser jogador, fez o que qualquer parente faria. Pediu a Marcos que recebesse Patrick, que ajudasse o garoto no tratamento do joelho na Espanha. E foi nesse momento que “começou toda a tragédia”, como afirma Walfran Campos.
G1

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